terça-feira, 30 de novembro de 2010

Progressão Geométrica

Aos 12- Disputar uma Olimpíada e carregar uma medalha que valesse muito mais do que todas aquelas que enferrujavam juntas na minha estante.
Aos 14- Publicar um livro que na verdade não passaram de rascunhos que narravam a vida daquele guitarrista malucão que só eu conhecia e que nem sabia tocar guitarra direito.
Aos 16- Passar no vestibular e ser mais uma daquelas jornalistas que separa o sujeito do objeto com vírgulas, quase matando os professores de Língua Portuguesa do coração quando lêem o jornal.
Aos 18- Casar com aquele que seria o pai dos meus filhos, mas que no final das contas acabou me trocando por um instrumento musical e uma talentosa vida com "ela".
Aos 20- Esquecer o cara mais sensacional que eu já conheci, e que quando tento imaginar minha alma, vejo a imagem dele refletida diante de um espelho.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Da indiferença

Era como lidar com uma pedra: nada o comovia, nada o fazia mudar de opinião. Como demonstrar que todos aqueles sentimentos descritos na última carta eram verdadeiros?Aquilo parecia estar fora de seu alcance, e à medida em que tentava desviar daquele assunto, mais ele insistia em bater de frente.
As noites sempre seriam a pior parte. Aquelas conversas agradáveis antes do último piscar de olhos para o sonho profundo seria eternamente uma lacuna em constante extensão. Sabia que ele sentiria tal falta também, e apesar da sua resposta estar no gerúndio, sua indiferença prevaleceria até o momento em que tentasse parar de pensar.
Seus sonhos jamais o deixariam esquecê-lo, poderia jurar que ouviu sua voz noite passada. Sem falar no perfume que acompanhava seu olfato aonde quer que fosse, inclusive nas horas noturnas.
Apesar das lágrimas inundarem novamente seu travesseiro, estava convicta: de nada adiantava protestar aquela falta, tampouco sentir ódio e acabar escrevendo mais uma carta ridícula igualzinha a anterior. A indiferença seria uma questão de tempo, assim como sugeriria na carta resposta de amanhã.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O tempo não perdoa nada

Ao que tudo indicava as coisas estavam andando todas como o planejado: ninguém tocaria mais naquele assunto e ele seria esquecido aos poucos como se jamais tivesse existido ou habitado aquele lugar. Mas aquela dor persistia em continuar e relembrá-la que ele ainda permanecia ali, naquele mesmo lugar de sempre onde se acomodara no primeiro instante em que se viram. E como não lembrar? Aquele momento nunca se apagaria da sua memória e, apesar de algum tempo depois ele ter confesado sido proposital, aquele toque simultâneo de suas mãos na tentativa de pega do mesmo livro naquela tradiconal livraria, não seria explicado por estudo científico algum, tampouco se compararia a uma ode grega.
Nada a ajudava esquecê-lo, tudo o fazia lembrar. Desde ínfimas recotrdações até a arrastada passagem do tempo, faziam com que seu coração doesse ainda mais. Se limitava a saber o dia da semana; Primavera há muito que deixara de existir e todos os relógios de seu campo de visão estavam cobertos por algum tipo de tecido ou haviam sido parados por ela mesma. As horas, sem duvida, era a parte mais difícil. Aquela devoção e pontualidade dele a irritava e questionava: Como poderia amar alguém tão diferente de si? A resposta é que amava e não podia mais permanecer incauta diante daquela situação .
Mas aquilo a desanimava e, não à toa, da última vez que decidira fazer contato e enfrentá-lo havia passado horas na frente do espelho praticando suas habilidades teatrais do tempo da escola decorando falas escritas há muito e revisadas por aquele amigo seu, assim como ele, professor de Literatura. Ela o conhecia muito bem e sabia que talvez por conta da timidez excessiva, não falasse nada ou pior, a ouviria e deixaria tudo como estava. Mas tinha plena noção de que valia a pena a tentativa, mesmo se fracassasse ela estaria fazendo a sua parte e aquele pacote de sensações ruins se amenizaria ou então, na melhor das hipóteses, passaria.
Pensara em todos os detalhes, sem esquecer da coragem que fora fator decisivo nas vezes anteriores quando ao estacionar o carro naquele familiar portão, não conseguiu mover um músculo sequer e sentir aquela tradicional vontade de chorar. Mas naquele dia não seria do mesmo jeito - impossível chorar, sua cota de lágrimas já havia secado àquela altura.
Só tentaria desta vez não pôr em prática sua velha mania de se atrasar e olharia com certa estranheza para os ponteiros do relígio - será que ainda sabia o que eles queriam dizer? Chegaria lá às 6, exatamente quando ele chegasse com aqueles dentes alinhados todos à mostra formando seu mais belo sorriso. Tinha certeza que ele estaria feliz por estar em casa, não havia como errar. Mas as horas passavam e não sabia ao certo se o problema era sua falta de intimidade ultimamente com os relógios ou talvez aquele tivesse sido um daqueles tantos que ela havia feito parar de funcionar. Ignorou, ficaria ali e esperaria do mesmo jeito; algo devia ter acontecido, ele jamais se atrasara daquela maneira. Deveria ter avisado, foi o que pensou, mas havia tanto que não conversavam que nem saberia como começar o agendamento daquela visita. Além disso, ele poderia evitá-la ou preparar-se para aquela conversa- e definitivamente, não era isso que ela queria.
Confiava no coração. Sabia que aquelas baboseiras todas da frente do espelho não serviriam de nada, mas caso o coração falhasse ou ele não quisesse ouvi-la, ela teria uma alternativa emergente. À medida em que o tempo passava, tinha cada vez mais certeza de que aquilo só poderia ser um sinal, ela não deveria ter feito aquilo- não daquela maneira.

Mas tudo ficou muito claro de repente em sua mente quando o melhor amigo dele a avistou e lhe disse tudo o aquilo que só ela não sabia. Ela havia se atrasado de novo, mas pela última vez. Ele se fora sem ela, estava cansado de esperar.


Cássia!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Do nome

Existe uma imensidade de coisas das quais não recebemos o dom de praticá-las, ou simplesmente encontramos dificuldades inexplicáveis ao executá-las. Estamos aquém dos outros, somos retardados no processo. À primeira vista, retardado pode parecer um adjetivo de cunho ofensivo, ou até um chingamento. Não saber lidar corretamente com alguns sentimentos nos assusta, mas quem nunca se sentiu assim? E é justamente por esta razão que dividirei aqui situações de quem faz jus a este adjetivo.