segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Da indiferença

Era como lidar com uma pedra: nada o comovia, nada o fazia mudar de opinião. Como demonstrar que todos aqueles sentimentos descritos na última carta eram verdadeiros?Aquilo parecia estar fora de seu alcance, e à medida em que tentava desviar daquele assunto, mais ele insistia em bater de frente.
As noites sempre seriam a pior parte. Aquelas conversas agradáveis antes do último piscar de olhos para o sonho profundo seria eternamente uma lacuna em constante extensão. Sabia que ele sentiria tal falta também, e apesar da sua resposta estar no gerúndio, sua indiferença prevaleceria até o momento em que tentasse parar de pensar.
Seus sonhos jamais o deixariam esquecê-lo, poderia jurar que ouviu sua voz noite passada. Sem falar no perfume que acompanhava seu olfato aonde quer que fosse, inclusive nas horas noturnas.
Apesar das lágrimas inundarem novamente seu travesseiro, estava convicta: de nada adiantava protestar aquela falta, tampouco sentir ódio e acabar escrevendo mais uma carta ridícula igualzinha a anterior. A indiferença seria uma questão de tempo, assim como sugeriria na carta resposta de amanhã.

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